Desde a antigüidade, a imagem das pessoas cegas é associada a dons, mitos e lendas que enfatizam destrezas e habilidades geralmente não vinculadas à leitura e escrita. Não raro, estes indivíduos eram sujeitos a espetacularização, à caridade pública e viviam marginalizados, em condições de indigência ou de ignorância. Em 1786, em Paris, Valentin Haüy, um filantropo empenhado em transformar esta realidade, fundou o Instituto Real de Jovens Cegos. Haüy acreditava que o conhecimento poderia ser transmitido oralmente, por meio do tato e da memória, tendo em vista que os cegos eram capazes de reconhecer o valor de uma moeda pelo tamanho. A partir desta constatação, o filantropo desenvolveu um método baseado na impressão de caracteres móveis em relevo, que reproduziam a forma das letras do alfabeto.
A leitura por esta via era rudimentar, morosa e enfadonha. Os livros eram grandes e pesados. Além disso, permanecia a necessidade de se encontrar um meio para a escrita. Por mais estranho que pareça, até hoje, muita gente ainda pensa como Valentin Haüy.
Em 1808, o capitão Charles Barbier de la Serre, um oficial do exército francês, criou a “sonografia”, um sistema de leitura e escrita baseado na decifração de um código sonoro, com o objetivo de transmitir mensagens secretas aos soldados durante a noite.
A “sonografia” consistia em transcrever um conjunto de 36 sons obtidos através da combinação de pontos, distribuídos em seis linhas com seis grades cada uma delas, com 12 pontos em relevo, dispostos em duas colunas verticais e paralelas.
A decodificação dos símbolos consistia em indicar por meio de dois algarismos a linha e a ordem em que o sinal ocupava na coordenação dos pontos. O suporte para esta escrita era uma espécie de tábua na qual se alinhavam um grupo de seis grades em seis fileiras e um tipo de pinça com um punção para perfurar o papel. A folha de papel era presa entre a régua e a pinça que deslizava verticalmente sobre ela, enquanto o punção produzia os pontos salientes que apareciam no verso da folha.
Este sistema apresentava os inconvenientes de se basear no alfabeto fonético, não possuir valor ortográfico, não representar os sinais de pontuação, as notas musicais e os símbolos matemáticos. Além disso, a grande dimensão dos caracteres dificultava a discriminação tátil para a leitura, já que os pontos não podiam ser detectados globalmente pela ponta dos dedos. Apesar das imperfeições do invento de Barbier, nele reside a inspiração e a origem do Sistema Braille.
Entre 1819 e 1821, Barbier apresentou o seu sistema a Valentin Haüy como uma provável alternativa para superar as dificuldades de alfabetização dos cegos. O seu método atraiu a atenção e o interesse de Louis Braille que percebeu suas limitações e dedicou-se com afinco à elaboração de um sistema mais simples e completo, considerando os aspectos indispensáveis para convertê-lo em um autêntico alfabeto.
Fonte:Eproinfo
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